Rebeldia
Deixe o carro na garagem e vá a pé. Rebele-se.
Se não tiver carro, gaste todos os trocados e vá de táxi, de
Uber, de bicicleta ou patinete. Rebele-se.
Deixe a pia dormir cheia de louças e não corra para ela nas
primeiras horas do dia. Rebele-se.
Coma a sobremesa antes da refeição e esqueça o troco de
propósito. Rebele-se.
Ajude o colega que não gosta de você e perdoe-se se você
também não gostar dele. Rebele-se.
Use calça jeans com havaianas e vestido com tênis, mesmo que
sua mãe lhe critique. Rebele-se.
Prenda o cabelo sem pentear ou faça a barba só na segunda. Rebele-se.
No sábado, veja TV no sofá até pegar no sono e durma lá até
amanhecer. Rebele-se.
Deixe o celular descarregar e ignore-o. Rebele-se.
Rebele-se de forma libertadora. Sem invadir o espaço do
outro, pois em tempos de desrespeito compulsório, isso também é rebeldia.
Faça ao contrário de propósito. Faça o bem de propósito. Elogie de propósito. Não faça nada... de propósito.
Esqueça o relógio. Coma quando tiver fome. Durma quando tive
sono. Tome banho para lavar a alma. Rebele-se.
Diga que ama a quem ama e sem nenhum motivo especial –
simplesmente porque ama. Rebele-se.
Sente no meio fio. Deixe pingar sorvete na roupa. Use tênis sem
meia. Beba na boca da garrafa. Rebele-se.
Faça tudo isso, ou pelo menos uma dessas proezas, para
lembrar-se que nenhuma delas é falta, mortal e que não vão mudar quem você é,
não vão abalar sua reputação, o que os outros pensam de você. Mas, talvez você
descubra que pequenas rebeldias nos resgatam da forma estranha em que nos
colocaram, onde nos acomodaram e nos deixamos ficar, até esquecermos que, um
dia, a rebeldia era o que nos definia.


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