Funeral
Em “Uma morte muito suave”, obra que Marina leu há mais de 20 anos e onde Simone de Beauvoir conta os dias que antecedem a morte de sua mãe, em certo trecho ela descreve, não necessariamente com essas palavras, que todo velório que acompanhamos é como se fosse um ensaio geral para o nosso próprio funeral. Esse trecho a marcou de tal maneira que, passados tantos anos, sempre se lembra dele quando vai a algum evento dessa natureza. Hipnotizada pela perspectiva do ensaio geral, mesmo em meio a toda tristeza e comoção, Marina se pega imaginando como será quando chegar sua vez. Quem avisará amigos e parentes? Quem cuidará dos detalhes? Escolher suas roupas, a urna, a empresa funerária – o cemitério já foi escolhido, é onde a família possui um jazigo – e aí se lembra que só cabem quatro “inquilinos” e seu pai já estreou o lugar. “Deus é mais!” - sente um arrepio, dá um tremelique e olha em volta para ver se não chamou a atenção de alguém. Se bem que, de uns anos para cá, tem pensado mui...









