Saudade
Há pouco tempo vi uma entrevista antiga da cantora Ângela Maria em que ela dizia que homenagens deviam ser feitas enquanto a pessoa estava viva. Verdade. Mas, eu também não consegui homenagear meu pai quando ele era vivo, achava que estar perto, conviver, beijar de vem em quando, já estava passando de bom. A gente nunca acha que vai perder pai e mãe - como assim eles não são prá sempre?
Meu velhinho morreu aos 66 anos (muito jovem), por causa do cigarro, que o acompanho desde os 16 anos. De suas frases, a que eu guardo sempre é: " Minha filha, os maus são muitos. Mas, os bons são maioria". Tinha problemas com o álcool, gostava de uma carne gorda, acordar tarde no domingo, dormir depois do almoço e mania de dar tudo o que tinha para quem precisava (minha mãe vivia dizendo que qualquer dia ia chegar pelado em casa, por que não podia ver alguém precisando que saía dando o que tinha). Desses problemas aí, só não herdei o do álcool - graças a Deus. Também tinha uma mania incurável de trabalhar de sol a sol para não deixar faltar nada em casa.
Não era perfeito, longe disso. De uma teimosia que eu só perdoo porque herdei isso também. Viveu intensamente. Acertou e errou tudo o que podia. Morreu em casa, deitadinho em sua cama, fingiu que ia descansar um pouco e enganou todo mundo. Enquanto escrevo essa homenagem atrasada é claro que me emociono. São lágrimas de saudade, de arrependimento, de orgulho por ter sido sua filha e de alegria por acreditar que, se por um lado sua vida foi cheia de imprevistos e lutas, hoje ele vive a certeza da glória e da vida plena ao lado de Deus.
E que fique a lição de não deixarmos as homenagens para quando for tarde demais
Meu velhinho morreu aos 66 anos (muito jovem), por causa do cigarro, que o acompanho desde os 16 anos. De suas frases, a que eu guardo sempre é: " Minha filha, os maus são muitos. Mas, os bons são maioria". Tinha problemas com o álcool, gostava de uma carne gorda, acordar tarde no domingo, dormir depois do almoço e mania de dar tudo o que tinha para quem precisava (minha mãe vivia dizendo que qualquer dia ia chegar pelado em casa, por que não podia ver alguém precisando que saía dando o que tinha). Desses problemas aí, só não herdei o do álcool - graças a Deus. Também tinha uma mania incurável de trabalhar de sol a sol para não deixar faltar nada em casa.
Não era perfeito, longe disso. De uma teimosia que eu só perdoo porque herdei isso também. Viveu intensamente. Acertou e errou tudo o que podia. Morreu em casa, deitadinho em sua cama, fingiu que ia descansar um pouco e enganou todo mundo. Enquanto escrevo essa homenagem atrasada é claro que me emociono. São lágrimas de saudade, de arrependimento, de orgulho por ter sido sua filha e de alegria por acreditar que, se por um lado sua vida foi cheia de imprevistos e lutas, hoje ele vive a certeza da glória e da vida plena ao lado de Deus.
E que fique a lição de não deixarmos as homenagens para quando for tarde demais



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