Ó, procê ver
Do latim
"olha, prá você ver", a expressão "ó, procê ver" é uma das
minhas preferidas nesse mundão goiano de meus Deus. Ao contrário do que parece,
a expressão traz consigo um conselho muito mais profundo do que um primeiro
olhar (ou ouvir) nos permite captar. Não é devaneio, não... vou
explica... ó, procê ver...
A expressão, claramente, nos sugere olhar para poder ver.
Quer coisa mais difícil de se praticar nos dias de hoje? Diante de tanta
concorrência para ganhar nossa atenção, não conseguimos olhar para mais nada
com a devida atenção... ver, então, é quase uma prova de amor. Passamos o dia
passando os olhos em tudo. Passamos os olhos no relógio, no rosto dos filhos, da
esposa, do marido, dos pais, amigos, animais de estimação, na
tela do celular (váaarias vezes), no sinaleiro (ou farol, ou semáforo... vai
depender de onde você estiver, mas o passar dos olhos será o mesmo). Passamos
os olhos nos vários e-mails, nas contas que chegam... Um breve passar de olhos
no rosto dos colegas de trabalho, do chefe e passamos o dia sem olhar realmente
para nada, sem enxergar além das circunstâncias, dos olhares que pedem atenção.
E um dia, um belo dia, acordamos e percebemos como o tempo
passou. Nos damos conta de que, independente de termos olhado, visto ou firmado
realmente os olhos, o tempo passou e provavelmente perdemos muita coisa legal: detalhes
da convivência com os filhos que cresceram "de repente", da relação
com o cônjuge que, como nós, envelheceu, dos momentos únicos com nossos pais,
que se ainda não partiram, vivem essa expectativa muito mais intensamente do
que nós.
Mas, para alguns, esse belo dia nem chega. Continuarão a não
olhar e, por consequência, a não ver o que passou, o que perderam e o que continuam
a perder.
Então, talvez esse seja um dos meus desejos para 2015: que eu
possa olhar para conseguir ver. Que eu consiga resistir às urgências frívolas
do cotidiano e possa colocar os olhos no que me constrói como pessoa, como
filha, como mãe, como amiga. Que todos os dias sejam uma composição de
experiências conscientes e relevantes, não apenas um amontoado de horas
passadas. Não sei se eu vou conseguir resistir e insistir todos os 365 dias do
ano, mas vou tentar bravamente. Mesmo correndo o risco de ser chamada de
patética, romântica, distraída, improdutiva, sentimental demais... Mesmo assim,
eu vou tentar.
Duvida? Ó procê ver!


Ó procê ver, hoje estou de dicando o dia pra minha família. .. pai, mãe, marido, filho, irmãos, tios e primos. .. maravilha
ResponderExcluirE as louças, não podemos esquecer das louças!
ExcluirÓ pra vc ver... nesse mundo de 140 toques, li tudim! Também fiz render o dia e tiquei uma série de coisas que tinha colocado na minha listinha de atividades pra fazer durante a folga da firma.
ResponderExcluirTá trabalhando na velha e boa lista que a gente teima em levar para as férias, Ale?
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